Triatlo de Sines 2017

Duas semanas depois de concluir o Triatlo de Lisboa, desloquei-me até Sines para fazer mais uma prova. As distâncias seriam muito semelhantes às feitas em Lisboa, mas desta vez seria mesmo uma distância Olímpica: 1500 metros de natação, 40 Km de Ciclismo, 10 Km de Corrida.

Os treinos para esta prova foram os mesmos que foram feitos para Lisboa. As duas semanas de intervalo entre as duas provas serviram apenas para fazer um numero reduzido de treinos, sendo que na semana anterior praticamente nem consegui treinar.

O objectivo passava por fazer menos de 3 horas de prova. Se para o de Lisboa este tempo era um sonho, para Sines e porque ia ter menos 5 Km de ciclismo pela frente, as 3 horas de tempo final pareciam-me um objectivo atingível, Sendo já mais ambicioso: fazer 1:55 min/100 na natação média de 30Km/h no ciclismo e uma corrida a 5:30 min/km seria um óptimo resultado.

No dia da prova fui ao final da manhã para Sines com a Rita e a Tatiana. Estava um dia bastante agradável para ficar na praia, mas eu tinha um Triatlo para fazer.

Ao chegar a Sines percebi logo que alem do calor o vento ia ser um problema. Tirando isso o dia estava perfeito.


Com o carro estacionado fui deixar o material tudo no parque de transição para podermos finalmente ir almoçar. Acabou por demorar mais do que pensava o que me causou a preocupação adicional de estar a almoçar muito em cima da prova. Para a próxima (Peniche) levo logo numa caixinha, qualquer coisa feita em casa e como na viagem.

Já depois de almoço com o Chapéu de sol e toalhas estendidas na Areia para a claque de apoio estava na altura de eu me equipar e preparar-me para o inicio da minha prova.

Segmento 1: Natação (27:53) média de 01:51 min/100m
Desta vez a natação ia começar na areia com a típica corrida para dentro de água. Quando deram a partida esperei cerca de um ou dois segundos e fui também para dentro de água. Não consegui evitar a confusão!

Braços, pés, cabeças, havia de tudo, acho que foi a prova em que mais confusão apanhei no seu inicio, por outro lado consegui ir quase toda a primeira volta no meio de outros atletas o que talvez tenha ajudado no tempo final.

Nesta prova o segmento da natação teria uma novidade para mim. A meio do percurso tínhamos de sair da água, dar uma volta numa bóia colocada na areia e voltar a entrar na água para fazer a segunda metade do segmento.
(foto Luís Santos)
Ao voltar a correr para dentro de água pensei, "vou mergulhar em grande estilo". Foi daqueles momentos em que nos vemos a nós próprios a fazer alguma coisa com a elegância e perfeição de um profissional no assunto. Suspeito que não foi o que aconteceu, atirei-me para dentro de água a pensar "sou o maior" e passei os metros seguintes a tentar controlar a respiração por causa desta parvoíce!

Não treinei este tipo de saída a meio da natação e estava preocupado com a rápida passagem da posição horizontal para vertical e novamente horizontal, tinha receio que ficasse tonto, o que felizmente não aconteceu.

Na segunda volta ao percurso acabei por seguir praticamente sempre sozinho, mesmo assim quando voltei finalmente para a areia vi que tinha feito uma boa média para os 1500 metros de natação.


Transição 1: (02:32)
Saí com bastante calma da água, meio a andar meio a correr, e depois de tirar o relógio e o prender na boca como de costume, tirei a parte de cima do fato. 

Mas tem de haver sempre alguma peripécia nas transições, desta vez foi ao tentar por o relógio novamente no pulso deixa-lo cair na areia. lá tive de parar a corrida apanha-lo da areia e voltar a correr para o parque. Não é agradável ter um relógio cheio de areia no pulso!

Não houve mais peripécias no resto da transição foi tudo feito com calma e bem. Curiosamente, e tendo sido a vez em que achei que tinha feito as coisas mais devagar, foi a minha transição mais rápida com apenas dois minutos e meio gastos em todo este processo. Provavelmente também ajudou o facto do parque de transição não ser muito grande.

Segmento 2: Ciclismo (01:24:44) média de 27,9 Km/h
O ciclismo desta prova pode ser descrito em apenas uma palavra: Vento!

Comecei o ciclismo a despejar um bocado de água no pulso do relógio para ver se tirava parte da areia que estava entre ele e o pulso e que me incomodava. Claro que nesta altura eu estava convencido que ia haver abastecimentos ao longo do ciclismo e que ia poder encher novamente o bidon. Não houve e metade da minha água foi gasta a limpar areia... Estúpido!

Estava convencido que não se poderia andar na roda, até que começo a ver grupos de atletas a seguirem todos juntos, achei estranho, mas continuei a deixar o espaço normal em provas em que o "draft" é proibido. Só ao fim de uns quilómetros em que vi mais gente a seguir na roda uns dos outros é que me convenci que se devia mesmo poder andar assim e tentei também encontrar uma roda que fosse ao meu ritmo.


Não foi tarefa fácil. Das cinco voltas que tínhamos de dar ao percurso, só na segunda e na terceira é que consegui seguir atrás de alguém, as restantes foram feitas sozinho.

Havia duas zonas planas no percurso em que o vento era tanto que mesmo numa mudança leve parecia que estava a subir rampas bastante inclinadas. A dada altura da prova comecei também a ficar farto de beber o isotónico que tinha levado e que obviamente estava quente (Tinha sido deixado as 13h no parque de Transição... a prova começou as 16h)

Queria beber alguma coisa que não fosse doce, mas a estupidez de gastar água no inicio fez com que tivesse de beber muito pouco de cada vez para aguentar até ao final.

Tal como em Lisboa tentei fazer uma gestão do esforço que me permitisse chegar bem à corrida, mas com o passar das voltas estava a começar a sentir os estragos feitos pela luta contra o vento. O ritmo foi caindo, mas deixei-me estar sem forçar para não pagar muito o esforço na corrida.

Fiquei bem aquém do que tinha pensado fazer neste segmento. 

Transição 2: (01:32)
Na passagem do ciclismo para a corrida não houve nenhum contra-tempo nem nada de extraordinário a assinalar. O tempo foi o normal para o que costumo fazer nesta segunda transição.

A única diferença foi a Rita que tinha ido até junto do parque ver-me chegar e que me estava a lembrar para não deixar nada fora do cesto senão seria penalizado (Acho que isto é um sinal que falo demasiado de triatlo em casa!)

Segmento 3: Corrida (58:18) média de 05:45 min/Km
Esta corrida foi bastante diferente da de Lisboa, mas igualmente ou até mais sofrida. Mas foi um tipo de sofrimento diferente. Enquanto que em Lisboa não queria baixar dos 5:30 min/km, em Sines a dada altura só queria não ter de caminhar. 

O percurso da corrida seriam 4 voltas feitas junto à praia com uma ligeira subida a meio de cada volta, antes do retorno. Mas para analisar a minha prova posso dividir este segmento final em três blocos de 20 minutos


O primeiro quilómetro foi feito bastante rápido a uma média de 5:08 min/km. Os seguintes ja´foram feitos a uns mais "normais" 05:30 min/km. Até aqui tudo bem, estava dentro do objectivo, mas já a começar a ter a sensação que não ia aguentar assim a prova toda. Nem toda nem metade. Foi só até mais ou menos aos 20 minutos de prova.

Nos 20 minutos seguintes foi quando começou a complicar, o ritmo baixou para os 5:40 / 5:50 min/km e estava a entrar na fase do querer parar para caminhar. Conseguia ir resistindo, dizendo para mim próprio "só faltam 3, só faltam 2... etc etc".

Ia aproveitando também o abastecimento no inicio de cada volta para beber água e despejar o que restava da garrafa pela cabeça já que estava imenso calor.


A terceira parte desta prova foi a pior e a que mais custou, a vontade de caminhar era enorme, mas só faltava uma volta e meia,.. Nesta altura já não queria saber de tempo nenhum, nem sequer olhava para o relógio. Foi uma luta constante para não caminhar!

Ao aproximar-me finalmente da meta vejo o relógio em 02:54:XX! Deu-me uma coisinha e comecei a sprintar para tentar acabar antes dos 02:55. Não deu, fiquei-me pelos 02:55:01.

Depois de cortar a meta questionei-me: "Se consegui sprintar assim não podia ter dado um bocadinho mais na corrida?" Acho que sim, é verdade que estava cansado, mas a cabeça não ajudou muito na corrida e provavelmente com mais força de vontade tinha conseguido não quebrar tanto na parte final. 

Conclusão:
Apesar de não ter sido um mau resultado, acho que se tivesse sido mais forte psicologicamente não teria quebrado tanto na corrida. O disparo que consegui fazer para o sprint final deixou-me a pensar se não teria conseguido correr um bocadinho mais rápido nas ultimas voltas. 

Cometi também alguns erros. Se tivesse lido o regulamento com atenção teria percebido logo de inicio que podia seguir na roda no ciclismo e que não ia haver abastecimento nesse segmento. 

Em relação à organização queria deixar só 3 notas.
Com o calor que estava deixar comida e bebida na bicicleta cerca de três horas debaixo do sol não é agradável. O meu isotónico parecia um chá. Nestas situações se calhar faria sentido voltar a deixar entrar no parque de transição entre o final da Prova Aberta e o inicio da Prova do Campeonato Nacional.

Devia ter visto o regulamento para saber que não havia abastecimento no ciclismo. Não sei se é costume não haver em provas desta distância, mas que tinha dado jeito isso tinha.

Para finalizar acho que não havia necessidade de fazer o percurso de ida na corrida pela estrada que era em empedrado. O paredão ao lado da estrada era enorme, não havia espaço para alem do percurso de regresso fazer lá também o de ida?

Com esta prova ficam terminados os triatlos mais longos que tinha planeado para 2017. Agora serão só provas Sprint: Peniche, Oeiras e em princípio Coruche.

A minha prova:

1º Challenge Lisboa (Battle of Sexes)

Dia 7 de Maio foi o dia de voltar a uma das provas que mais gostei de fazer desde que comecei a praticar desporto: Triatlo de Lisboa, que este ano passou a pertencer ao circuito Challenge.


Já uns meses depois da inscrição estar feita a organização arranjou uma surpresa ao passar a distância da natação de 950 metros para 1500 metros, distância usada no Triatlo Olímpico. Ia ser bastante mais do que o previsto mas não me preocupei muito dado que tinha nos planos 2 semanas depois desta prova o Triatlo de Sines, também ele com 1500 metros de natação.

Tenho a sensação de ter chegado a esta prova com uma preparação melhor que no ano anterior. Pelo menos o número de treinos foi superior, os quilómetros também e o ritmo que tenho feito nos três segmentos era também mais rápido.

Apesar de ser complicado comparar tempos entre provas de Triatlo, tinha como sonho fazer menos de 3 horas. Digo sonho porque por mais que "brincasse" com um simulador de tempos as médias que tinha de fazer eram todas muito boas e algo que eu realisticamente duvidava que conseguisse.
No Sábado fui deixar o material todo no parque de transição, este ano com a novidade do equipamento do ciclismo e da corrida ficarem em sacos separados cada um na sua zona. A ideia era sair da natação pegar no primeiro saco, trocar o material pegar na bicicleta e sair.

No regresso do ciclismo era só deixar a bicicleta no sitio apanhar o segundo saco, trocar o material necessário (no meu caso só os sapatos) e sair novamente.

Deixei tudo arrumado e andei para trás e para a frente para decorar o sítio onde os saco tinham ficado pendurados.
Apesar de este ano a minha prova começar uma hora mais tarde que o Half Iron Man, ou seja às 8:20, fui à mesma por volta das 06:30 para o Parque de Transição. Isto porque o período para fazer os últimos ajustes na bicicleta e sacos da transição era entre as 06:00 e as 07:00.

Bicicleta verificada, comida e bebida deixadas na bicicleta e estava pronto para a prova!

Esta foi a fase mais chata e onde a ansiedade começava a aumentar. Ver os primeiros a partir às 07:20 e estar cheio de vontade de começar mas ter de esperar ainda uma hora não ajudava! Para o ano tenho de ir ao Half IronMan para evitar esta espera (aposto que já houve desculpas piores para fazer um half)!
O meu pai e irmão fizeram questão de também acordar bastante cedo e ir comigo para a prova para me poderem apoiar. Durante esta hora de espera aproveitei para lhes dar a minha previsão de tempos de passagem em cada local para eles poderem andar a correr de um lado para o outro.

Às 08:05 foi a partida das mulheres e passado um pouco deixaram-nos finalmente ir para dentro de água.

Desta vez não houve frio, chuva ou vento. Já dentro de água com uma temperatura óptima e um sol fantástico, estava um dia perfeito para começar o meu Triatlo!

Segmento 1: Natação (29:04) média de 01:56 min/100m
Apesar de não ter ainda muita experiência começo a sentir-me mais confiante no inicio da natação. É claro que a confusão inicial ainda me deixa algo preocupado, mas consigo controlar melhor. Esse ganhar de alguma confiança e o facto de não ter assim tanta gente à volta permitiu-me começar mais relaxado do que em provas anteriores.

A sensação que tive desde o inicio foi a de ir a um bom ritmo e com uma boa orientação, pelo menos até à segunda bóia. Da segunda para a terceira deu-me a sensação de ter fugido um bocado até porque deixei de sentir pessoas à volta. Diz quem viu que não me desviei muito.

O que ainda não consegui foi ir integrado num grupo que vá ao meu ritmo, ou não conseguia acompanhar quem ia à frente ou ia ligeiramente mais rápido. É algo a trabalhar nas próximas provas.

Nunca tinha nadado tanta distância numa prova e até acho que consegui gerir bem o ritmo ao longo dos 1500 metros, nunca senti que fosse a fazer um esforço maior que o necessário, e estava a gostar de estar ali, mas lembro-me de a dada altura pensar "Fogo... 1500 metros de natação é muito metro".

Perto do final da natação voltei a tentar a técnica de bater mais as pernas para evitar as tonturas, e não sei se foi disso ou não mas a verdade é que desta vez não apareceram.
Ao sair da água nem vi bem o tempo que demorei na natação, só me apercebi que tinha feito menos de 30 minutos o que era um excelente pronuncio.

Transição 1 (03:21)
Lembram-se de dizer que no sábado andei para trás e para a frente a praticar a saída da água e onde tinha o saco? Pois... Com a adrenalina / stress da saída da água, passei pelo meu saco sem o ver, aliás nem sei sequer o que estava a pensar. Limitei-me a olhar para os números e só via os 1200 e qualquer coisa, não conseguia perceber para que lado os números aumentavam ou diminuíam e onde estaria o saco com o meu número (1130)

Depois de uns segundos desorientado lá encontrei o saco e fui para a tenda despir o resto do fato. Na tenda estavam voluntários que rapidamente se ofereciam para guardar as coisas da natação dentro do saco para não estarmos a perder tempo.

Não tinha muito mais a fazer ali, pus o dorsal à cintura, peguei nos sapatos e fui com eles na mão a correr até à bicicleta para ser mais rápido

Já na bicicleta foi por o capacete na cabeça, calçar os sapatos e sair do Parque de Transição. 

Segmento 2: Ciclismo (01:28:55) média de 29,9 km/h
A minha grande dúvida para o ciclismo e que no pré-prova estava a influenciar mais os cálculos finais era se conseguiria fazer uma média de 30 km/h. O problema é que depois do ciclismo ainda ia ter de correr mais 10,5 Km, e a última prova no Triatlo de Cascais tinha-me mostrado que abusar no ciclismo paga-se na corrida.

Arranquei com calma, aproveitando para hidratar e aquecer as pernas, mantendo para isso uma cadência mais alta que o norma. Aproveitei a ligação entre o parque de transição e o IC2 para fazer isso.

Nesta altura já todos os participantes na prova longa estavam na estrada e eu acabei por ir entretido durante todo o meu segmento a observar as bicicletas que passavam por mim, era com cada máquina que até fazia impressão!

A minha grande preocupação para este segmento era encontrar o equilíbrio entre manter um bom ritmo mas sentir que não ia a 100% do esforço, ou seja tinha de guardar alguma coisa para a corrida.

No percurso de ida, tive a sensação que o vento este ano estava ao contrário do ano passado, ou seja, contra para lá e a favor no regresso. Não achei no entanto, que o vento estivesse muito forte até porque estava a conseguir manter-me numa média acima dos 30 km/h deixando a tal reserva de energia para mais tarde.

Na subida antes do retorno tentei privilegiar a cadência em detrimento da força, e foi com uma mudança levezinha mas mantendo a cedência acima dos 80 que cheguei lá acima.

Foi no regresso que confirmei que o vento estava realmente a favor. Não é normal para mim rodar com facilidade a 35 / 36 km/h e era esse o ritmo que estava a conseguir manter.

Estava bastante satisfeito, mesmo na segunda volta conseguia manter o ritmo nos 30 km/h, valor que antes da prova pensava ser muito optimista, e sentia que ia conseguir chegar em condições à corrida. Começava a acreditar no sonho das 3 horas!

Transição 2 (01:21)
Ao chegar à entrada do Parque de Transição estive novamente (aconteceu o mesmo em Cascais) à beira de um desastre!

Comecei a preparar-me para sair da bicicleta como se não tivesse sapatos de encaixe. Desencaixei o pé direito e quando dou por mim estou a começar o processo de passar a perna direita para trás para ficar só de um lado da bicicleta e desmontar em andamento. Então e o pé esquerdo perguntam vocês! Pois... Continua encaixado e se não me apercebo a tempo do que ia fazer, daria certamente fotos muito boas.

Com o acidente evitado, desmonto correctamente da bicicleta e vou a correr até ao local onde a deixo. Descalço os sapatos e começo a correr para a zona dos sacos da segunda transição onde estariam os ténis de corrida.

Uns 5 metros à frente da bicicleta apercebo-me que tenho o capacete na cabeça... Toca a voltar a trás para o tirar. Só depois é que me lembrei que podia ter continuado e deixava-o no saco da transição. O resto da transição correu bem e até foi bastante rápida. Na tenda estava novamente uma voluntária que se ofereceu logo para guardar os sapatos de ciclismo.

Segmento 3: Corrida (58:41) média de 05:26 min/km
Estava quase feito, faltavam "só" 10,5 Km de corrida, e pela primeira vez num Triatlo tive momentos em que pensei no porquê de me meter nestas coisas. Não que não estivesse a gostar da prova, mas esta corrida foi mais sofrida que em outras provas (como se nota pelas fotos da corrida).

Quando sai para a corrida foi a primeira vez que olhei para o relógio com o objectivo de ver o tempo total de prova. Tenho ideia de ter visto cerca de 2 horas e 3 minutos. Na altura fiquei extremamente satisfeito e pensei que bastava manter um ritmo de 05:30 min/km para baixar as 3 horas. Problema: Eram 10,5 quilómetros e não apenas 10. E no final o GPS até acabou por marcar 10,8 Kms.

Como sempre a tendência é correr mais rápido do que o corpo parece estar a indicar. Já conheço esta sensação e tentei controlar. Queria fazer um inicio de corrida mais lento e conseguir ir melhorando ao longo da prova. Mesmo assim o primeiro quilómetro foi feito a uma média de 05:06 min/km.

Foi só a partir do terceiro quilómetro de prova que me comecei a sentir melhor, até lá confesso que fui um bocado em sofrimento. Cheguei a pensar que pudesse ser como em Cascais em que ia ter de caminhar durante a prova. Aliás, até ao final, esse pensamento passou-me mais vezes pela cabeça.

Passada essa fase inicial as sensações foram melhorando e ver o ritmo a manter-se abaixo dos 5:30 min/km dava-me ainda mais motivação para continuar. Para além disso ao ver passarem ali mesmo ao meu lado, como se nada fosse, atletas como o João Pereira, Bruno Pais ou a Vanessa Fernandes dá também uma motivação enorme para continuar.

E continuar foi o que fiz, ia conseguindo manter um ritmo ligeiramente abaixo dos 05:30 mas não queria olhar para o tempo total para não ter de fazer contas. O pensamento principal era continuar assim e não quebrar.

No abastecimento do Km 5 ia com tanto calor que peguei em dois copos de água e os despejei por cima de mim. Soube bem, mas só mais à frente é que se deu o click que se calhar tinha sido mais importante beber água... estúpido! Na altura fiquei preocupado e só esperava não pagar esse erro mais tarde.

Por volta do sétimo quilómetro, ou seja na zona do último retorno antes de voltar para a tão desejada meta, comecei a sentir novamente dificuldades e uma enorme vontade em caminhar nem que fosse só por um bocadinho. Mais uma vez consegui lutar contra essa vontade. Não me lembro de noutras provas de corrida ter tantas destas lutas mentais para continuar a correr e a não baixar o ritmo que levava.
No retorno para a meta esperei até faltar apenas um quilómetro para ver o tempo final. Ia ser mesmo a queimar as 3 horas. Deixei o mostrador ficar com o tempo e limitei-me a correr o mais rápido que conseguia, que já não era muito! A cerca de 500 metros do final vejo o relógio a passar das 3h e inevitavelmente quebrei um pouco, afinal o tempo que tinha começado a acreditar durante a prova não ia ser batido.

Terminei a minha prova com um tempo final de 03:01:26 e com sentimentos mistos.


Conclusão:
Acabei com sentimentos mistos porque o tempo com que tinha sonhado antes da prova e indo a acreditar cada vez mais ao longo dos vários segmentos acabou por não se concretizar. 

Por outro lado tenho a consciência que em relação ao ano anterior melhorei o meu ritmo em todos os segmentos e que muito dificilmente teria retirado algum tempo aquele que fiz. Acabei completamente esgotado tendo deixado tudo em prova. 

Acabei de tal maneira que logo depois da meta enquanto estava sentado a descansar pensei "Daqui a duas semanas em Sines vou ter de fazer isto tudo novamente... não sei se quero!".

Calma, isto foi na altura, ao final do dia já estava cheio de vontade de repetir todos estes quilómetros no Triatlo de Sines!

Para finalizar uma pequena nota em relação à organização da prova e sua passagem para o circuito Challenge. Começando pelo fim, gostei mais do percurso do ano passado com a volta ao Oceanário, mas, para mim, o mais importante seria pensar em alguma forma de fechar totalmente o percurso da corrida. Correr entre pessoas a passear o cão ou a andar de bicicleta atrapalha quem vai em prova e pode causar situações perigosas. 

Na natação, a alteração da distância até é bem vinda, gostei de fazer os 1500 metros, mas o percurso tinha imensos retornos. Esta situação tornava-se mais problemática na parte final em que o percurso de ida era mesmo ao lado do de volta, ou seja nadava-se quase de frente uns para os outros.

Mesmo para terminar, queria deixar só a nota de que algumas das fotos neste post foram retiradas do facebook da Revista Triatl3ta e do Paulo Sezilio. Obrigado pelas fantásticas fotos tiradas durante a prova.

A minha Prova:

40ª Corrida da Liberdade

A Corrida da Liberdade é a prova em que mais vezes participei desde que comecei a correr, tendo falhado apenas um ano. Esta edição não foi excepção e voltei a estar presente na Pontinha para a 40.ª partida desta popular corrida. Para mim, foi a sexta participação!


Cheguei a pensar que esta podia ser uma boa prova para fazer 10 Km mais rápidos, em jeito de preparação para o Triatlo de Lisboa, mas com o cansaço que sentia deixei essa ideia de lado. As últimas semanas têm sido bastante preenchidas e exigentes a nível de treinos, para além de ter participado na estafeta dois dias antes.

Não parti com nenhuma ideia pré-definida de tempos. Nem sequer me conseguia lembrar do meu melhor tempo nesta prova. Era começar devagar, ir acelerando e logo se via.

Parti devagar, em conversa com os colegas de equipa e ao longo da prova fui aumentado o ritmo, à medida que me ia sentindo melhor. 

Achei que este ano havia muito mais participantes do que em anos anteriores. Isso, a somar ao facto de ter feito uma prova sempre em ritmo progressivo, deu-me a sensação de que fui a prova toda a ultrapassar outros atletas. Por pouco ou nada que se vá a competir, acaba por ser sempre motivador!


Terminei a prova com um tempo de 56:58, o que faz com que tenha batido o meu record nesta prova em 7 segundos!

Esta prova é quase que obrigatória no calendário de corridas, percurso interessante, gratuita, e uma organização eficaz, tirando talvez a saída após a meta que continua a ser demasiado lenta. É uma excelente forma de comemorar a Liberdade!

A minha corrida;


Corrida da Liberdade - o meu histórico:

78ª Estafeta Cascais-Lisboa

No passado domingo participei na minha primeira prova de estafetas e foi na 78ª Edição da prova Cascais - Lisboa.

Depois de há uns anos atrás ter feito a prova completa com os seus 20 Km, este ano decidimos fazer uma equipa dos 4 ao Km para enfrentar os quatro percursos de 5 Km. Por coincidência ficámos com o dorsal número 4!


Encontrámos-nos todos de manhã em Belém para apanhar o comboio e depois cada um sairia no local onde o seu percurso iria começar. Excepto o João que ia fazer o ultimo percurso e por isso foi logo a pé para ir aquecendo.

Eu ia fazer o terceiro percurso que começava em Stº Amaro de Oeiras e terminava no Alto da Boa Viagem, ou seja começava e acabava a subir. Para alem disso estava um dia bastante quente, mas mesmo assim tinha como objectivo fazer menos de 25 minutos.

Depois de algum tempo de espera passado à conversa com mais 3 colegas que também iam fazer a estafeta estava a aproximar-se a hora. Quando vi finalmente o Orlando a aparecer os nervos aumentaram e fui para o local da passagem do testemunho.

Testemunho entregue e desatei a sprintar feito parvo, os primeiros metros foram feitos a menos de 4:00 min/km até que pensei "o que é que estás a fazer?" Lá me acalmei e voltei para ritmos mais normais para mim

Até metade da prova ainda consegui ir abaixo dos 5min/km, mas depois começou a custar mais. Nesta altura já tinha encostado a outros 2 atletas, que não consegui perceber se eram da estafeta ou não, mas seguiam a um ritmo parecido com o meu. Ajudou bastante para não quebrar muito naquela altura, mas a estava a prever que mais tarde ou mais cedo ia acontecer.



Assim que comecei a subida para o alto da boa viagem o ritmo caiu bastante. Mas nesta altura já quase a terminar só pensava que o João estava à espera e tinha de chegar lá o mais rápido possível.

Cheguei com 24 minutos e 30 segundos e entreguei o elástico que servia de testemunho ao João que arrancou logo para um excelente tempo.

Quanto ao meu tempo, como são poucas as provas de 5 Km que fiz (esta foi a segunda) este tempo equivale ao meu novo record na distância.

Com a minha parte da prova terminada aproveitei para comer uma maçã beber um bocado de água e pus-me novamente a correr a caminho da meta, desta vez muito mais devagar :)

Gostei bastante desta experiência, o ser uma prova mais curta e ter colegas que dependem de nós acaba por criar uma pressão diferente para a prova e obriga a dar mesmo tudo.


A minha prova: